O consultório seguro
Você repertoriza bem. Conhece o Organon. Tem casos crônicos acompanhados há anos, e eles vão bem. Existe um conjunto de vinte, talvez trinta medicamentos com os quais você trabalha confortável — Sulphur, Lycopodium, Calcarea carbonica, Natrum muriaticum. São bons remédios, e resolvem a maior parte do que entra pela porta.
Esse é o mundo onde você opera com segurança. E ele funciona — até o dia em que alguém senta na sua frente com um caso que não cabe nele.
O caso que não coube
Um diagnóstico oncológico recente. Uma mãe com uma criança dentro do espectro. Um idoso em declínio cognitivo cuja família já ouviu de três médicos que não há mais o que fazer. Um telefonema perguntando se você "não teria alguma coisa" para um paciente internado.
Você sabe repertorizar. O que você não sabe é como conduzir. E não é falta de estudo: é que o estudo que você recebeu descreve o medicamento e não mostra o caso. Fala do resultado e omite o caminho. Publica o desfecho e esconde as duas prescrições erradas que vieram antes.
O que quase todo mundo faz
Encaminha. Diz que pode acompanhar o bem-estar, a disposição, o sono — e entrega a parte difícil para outro. E depois fica com a sensação, meses depois, de que talvez tivesse conseguido. De que era um caso seu, e você abriu mão dele por insegurança, não por limite técnico.
Essa dúvida não vai embora com mais um curso teórico.
O médico que não encaminhou
Dr. Luiz Stern tem mais de 43 anos de clínica em exatamente aquilo que a maioria dos homeopatas evita: pacientes em UTI, oncologia, doenças degenerativas, quadros agudos graves. Apresentou casos em congressos no Brasil, na Espanha, na Holanda, na Alemanha e na Índia.
E fez algo raro: filmou. Não escreveu sobre os casos depois — registrou enquanto aconteciam. Anamnese, escolha do medicamento, evolução, mudança de conduta quando foi preciso mudar, desfecho.
O Protocolo Stern é a abertura desse arquivo.